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Criador, homem de negócios, viajante incansável, embaixador. Acima de tudo, e apesar da diversidade de interesses, Pierre Cardin continua sendo um estilista. Para a história da moda, seu nome significa muito mais do que um corte impecável, roupas estruturadas com originalidade e onde as formas geométricas minimalistas combinadas a tecidos de alta qualidade ganham um visual surpreendente.
Graças a ele, a moda do século 20, especialmente a alta-costura, incorporou conceitos de modernidade e praticidade. Sabiamente, ele rompeu regras e previu os novos tempos. Acertou tanto que influenciou toda uma geração de estilistas, entre eles Jean-Paul Gaultier, que também esteve à frente da famosa marca em 1970.
Aos 87 anos , o nome Pierre Cardin ainda é uma lenda. Não apenas por ele ser conhecido nos cinco continentes; ou por ser recebido com honras de chefe de Estado pelos países por onde passa ou por ser proprietário da empresa de moda com maior êxito no planeta. O mundo deve a ele, só para começar, a criação da moda unissex; do prêt-à-porter — uma nova forma de confecção, na qual desenho e qualidade foram combinados à fabricação em série — e a revitalização da moda masculina, tornando-a referência internacional (até fins da década de 50 ainda contava com modelos pouco confortáveis). Um criador incansável - Cardin não só traduziu as mudanças e os comportamentos sociais de cada década, mas antecipou-os sempre pensando no futuro. Ao longo de 60 anos de criação, Pierre Cardin assinou mais de 100 coleções. Seu acervo pessoal, localizado na Avenue de Marigny, em Paris, abriga mais de 4 000 modelos. A importância de seu trabalho não apenas transcende o universo da moda, mas fez com que ela entrasse para a História quando se tornou o primeiro costureiro a integrar a Academia de Belas Artes da França, em 1992. Entre as várias honras recebidas, Cardin foi ainda o primeiro estilista francês a ser homenageado em vida por um dos maiores museus de costumes, o Victoria & Albert, de Londres, com a retrospectiva Pierre Cardin: Past, Present and Future, em 1991. No Brasil a mesma mostra foi exibida pela Faap (Faculdade Armando Álvares Penteado), em São Paulo, com os 140 modelos mais representativos dos 40 anos de carreira. Nesse mesmo ano, ganhou o Prêmio Ascot Brun, o Oscar da Moda, como o mais criativo do ano. Em 2002, comemorou 50 anos de carreira com uma exposição em Tóquio.
Como todo revolucionário, Cardin criou polêmicas ao vender, em 1959, sua primeira coleção feminina de alta-costura na Printemps, famosa loja de departamentos de Paris. Tal ousadia rendeu-lhe a expulsão por cinco anos da Chambre Syndicale, o órgão dos grandes criadores e do qual dez anos depois ele se tornaria presidente. O acontecimento não trouxe prejuízos para o estilista e, a partir disso, modelos de alta-costura não eram mais obras únicas e inimitáveis — mesmo que a clientela feminina não pudesse comprá-los, tinha a possibilidade de admirá-los. Cardin não só democratizou a moda, mas levou-a também para as ruas: mais de vinte milhões de pessoas já usaram qualquer um dos mais de 800 produtos que levam suas iniciais, desde celebridades como os Beatles até pessoas comuns. Exceto seus perfumes, tudo isso sem fazer publicidade. Mais tarde, em 1993, chegaria a vez de seus perfumes, vendidos na rede de supermercados Carrefour a preços 30% mais baixos que os das lojas especializadas. Pierre Cardin é o único de dono de sua marca, que estampa centenas de franquias em mais de cem países. Não só de roupas e acessórios, mas de mobiliário, vinhos, alimentos, louças sanitárias, flores e frutas, aeronaves, carros de tiragem limitada e até navios e barcos, além da rede centenária de restaurantes Maxim´s e de um hotel onde ele mora, em Paris. Apesar de tudo, segundo ele, seu maior triunfo é ver seu nome entre os membros da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e da Academia de Belas Artes Francesa.
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